18 September 2007

AS NOSSAS FÉRIAS

02-Set
Partida de Maputo às 10h com o Padre João, a sua Sobrinha Joana e os noviços da Consolata.
- 1ª Paragem: Xai Xai
- 2ª Paragem: Miradouro de Quissico
- Chegada às 18h00 ao Guiúa (Inhambane)

03-Set
- Cidade de Inhambane
- Praia do Tofo
- Tofinho
- Visitar o local onde se encontram enterrados os Mártires do Guiúa (24 catequistas assassinados durante a guerra civil)
- Praia de Guinjata (resort) – praia lindíssima onde inclusivamente vimos baleias

04-Set
- Mercadinho do Guiúa
- Baía dos Cocos (onde os Padres da Consolata construíram algumas palhotas para seu recolhimento no dias de repouso)

05-Set
- 08h00 Fomos a Inhambane para apanhar o barco até Maxixe, onde passam os autocarros para a Beira
- Atravessámos a baía de Inhambane num pequeno barco
- Fomos até à paragem dos autocarros. “Há-de passar…”, diziam as pessoas... e nós, com a nossa pontualidade Europeia perguntávamos “mas a que horas?” e a resposta era sempre a mesma: “Há-de passar…” Passou um antes, mas vinha completamente cheio. Não cabia nem mais uma mosca!!! Mas há-de passar outro, diziam as pessoas… há-de passar! E assim fomos esperando até que às 15h30 até que apareceu um autocarro para a Beira. A apinhar de gente, também, claro. Compramos os bilhetes e mandam sair toda a gente, porque tinham de levar alguém ao hospital. Saímos e esperámos. O autocarro voltou algum tempo depois e lá entramos todas contentes porque arranjámos dois lugares sentadas. A meio da viagem viemos a descobrir que aquele era o lugar onde estava sentada a pessoa que faleceu… por isso é que estava vazio…

06-Set
- Chegámos às 03h30 da manhã à Beira. Ficámos a dormir no autocarro até amanhecer, tal como muitos outros passageiros e às 05h00 da manhã fomos à procura de um sítio para tomar o pequeno-almoço, mas aquela hora só estavam abertos os hotéis. Entrámos num, perguntámos quando começariam a servir os PAs. e esperámos que fossem horas decentes para telefonarmos à Irmã da Ir. Sabina, aqui das Mahotas.
- Ás 06h lá mandámos uma msg e o António (Cunhado da Ir. Sabina) lá nos foi buscar.
- Tomámos um banhinho e lá fomos à descoberta da Cidade da Beira, que achei um bocado triste e descuidada.
- Almoçámos numa esplanada na Praça do Município e um escritor local (moçambicano) veio cumprimentar-nos por estarmos vestidas de Capulana. Chama-se Adelino Timóteo e já editou vários romances e poesia (Molungo; Segredos da arte de Amar; A Fronteira do Sublime). Pouco depois fomos a uma livraria, e lá estava um dos seus livros… foi engraçado!
- Jantámos em casa da Sónia e do António que nos ofereceram codornizes… hum… que petisco, depois de 7 meses a frango…

07-Set
Saímos da Beira às 05h30 em direcção a Nampula, mas como não havia autocarro directo, apanhámos um chapa (daqueles de 9 lugares, transformados em 20) e fomos até Caia, na margem do rio Zambeze.
Chegámos a Caia às 12h30, mas já não aguentávamos a dor de costas, pernas e cóxis e saímos uma paragem antes, alugámos um bici-taxi e fomos os últimos 7 km de bicicleta. Soube muito bem apanhar aquele ventinho e poder descontrair depois de tantas horas de chapa.
Chegadas à margem do rio, era hora de almoço, e apesar de haverem 3 batelões, todos param para almoçar à mesma hora e por isso tivemos de esperar até às14h. Entrámos no batelão e apanhámos um transporte até Nampula. Chegámos a Nampula às 23h45. A Ir. Eni já estava à nossa espera, e foi-nos buscar, super atenciosa e hospitaleira. Ficámos assim na casa das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.

08-Set
De manhã fomos ver um pouco da Cidade de Nampula com a Delfina, uma das Postulantes.
De tarde fomos conhecer a casa dos Irmãos de S. João de Deus, o Centro de Saúde e a casa onde estão os meninos do anterior projecto da JH, Chacrimo.
O jantar foi uma churrascada brasileira com a comunidade das Irmãzitas, duas outras irmãs que estavam de visita e três padres brasileiros. Estavam a comemorar, embora tardiamente, o dia da independência do Brazil, 7 de Setembro.

09-Set
Fomos até à famosa Feira de Nampula, mas fiquei um pouco desiludida, pois Maputo tem muito mais variedade de artigos, embora mais caros.
Às 12h00 a Sandra, uma colega de curso da Marisa que está em Missão em Carapira foi-nos buscar e fomos conhecer a Escola Industrial de Carapira, a cerca de 125km de Nampula.

10-Set
- Visitámos a Escola Industrial de Carapira
- Ilha de Moçambique
- Cidade de Nacala e Baía de Fernão Veloso

11-Set
- 07h45-Partida para Pemba (a partir de Namialo, onde me roubaram o tlm. Outro…)
- 13h30 Saímos na paragem da Igreja, mesmo em frente à casa das Irmãs Salesianas que nos acolheram.
- O Padre Luís foi-nos mostrar a Universidade Católica e depois demos uma volta pela cidade

12-Set
- O Padre Luís foi levar-nos até à praia do Wimbe onde ficámos numa esplanada típica e almoçámos Caranguejo e camarão… (e eu ainda acompanhei com uma caipiríssima:)) há belas vidas…
Logo de manhã fomos de barco até uma zona de recifes onde eu fiz mergulho livre em apneia pela primeira vez. Amei!

13-Set
- O Padre Luís (grande anfitrião, de uma hospitalidade incomparável e uma gentileza sem igual) foi-nos levar a uma praia um pouco mais longe, Murrébue. Entrámos por um terreno privado pertencente a um amigo do Pe Luís que nos emprestou a “cabana” na praia para deixarmos as coisas, cadeiras e até deixou o Segurança à nossa disposição hehehe
- Para despedida, fomos jantar a um restaurante italiano mto giro, com um ambiente mto requintado, mas acolhedor ao mesmo tempo com uma vista fantástica sobre a baía de Pemba (a 3ª maior do Mundo)

14-Set
- 04h30 Regresso para Nampula, onde tínhamos voo marcado para as 20h00. Chegámos ao Aeroporto, acompanhadas pela incansável Ir. Eni e… ninguém nos balcões de Chek in. Os Funcionários da LAM entraram e começaram a fazer o chek in dos respectivos passageiros, e nós, da Air Corridor, nada! Não se via ninguém, nem um bagageirozito para perguntarmos alguma coisa. Esparámos, esperámos, esperámos… os passageiros iam chegando e pasmando com a situação. Já estávamos a pensar que tinham fugido todos com o nosso dinheiro quando aparecem duas senhoras num passo lento e tranquilo. Eram 19h45.
Resumindo e concluindo, o voo foi cancelado para o outro dia de manhã e não se deram ao trabalho de informar ninguém! Querem bilhetes baratos… depois não se queixem!!!

15-Set
08h00 – Apanhámos o avião para Maputo (que parou ainda na Beira)
11h20 – Chegámos a Maputo onde nos esperava a já saudosa Ir. Celeste, que revimos com muita alegria.

Vejam as fotos no album ao lado!

31 August 2007

As merecidas férias...

Ah pois é... quase 7 meses e já está na altura de tirarmos umas fériazinhas...

Este domingo eu e a Marisa vamos até Inhambane,







depois tencionamos subir um pouco mais até à Beira







e se possível chegar até Nampula Não sabemos se vamos ter tempo para tudo, mas vamos tentar.


Saímos daqui com o Padre João, da Consolata que vai levar os noviços até inhambane e aproveita para mostrar à sobrinha que chegou hoje de férias um pouco deste enorme país.
E nós, claro, aproveitámos a boleia!

As primeiras visitas


Estas foram as nossas companheiras de jornada durante o mês de Agosto!
Na foto vemos a Mariza (que foi ao Infantário da Matola uns dias e veio com este leve toque de bronzeado :) ); a Vera, eu e a Ana.
Foi um mês muito positivo, e que me ajudou muito a recarregar algumas baterias! Vieram com energia e ideias para dar e vender. Transformaram a nossa cozinha numa pequena fábrica de jogos didáticos para as crianças, adultos e até para as mamãs...
Obrigada meninas e cuidado com os congolotes...
:)

06 August 2007

Aldeia SOS

Começou no início deste mês o recenseamento da população moçambicana e para este projecto suspenderam as aulas em férias extraordinárias, pois são os alunos do ensino secundário que vão fazer as pesquisas casa a casa, o que neste terreno, há-de certamente ser algo, no mínimo hercúleo, ou então, os resultados ficarão muito aquém da realidade, que é o mais provável, mas a população anda super entusiasmada, como se fosse o acontecimento do século. Ainda hoje muitas crianças ficam sem registo porque os pais não têm dinheiro, ou simplesmente deixam passar muito tempo, por pura displicência e depois já têm de pagar uma multa muito superior e para a qual não têm capacidade para comportar.
Por este motivo, as crianças que vivem na Aldeia SOS ficaram sem ocupação para este mês, o que não estava dentro do programa e pediram-nos que os ocupássemos durante algum tempo. Como tínhamos o trabalho no Centro, ficou estipulado que iríamos lá às segundas e quartas-feiras das 14h30 às 16h30. São cerca de 150 crianças e jovens. Eu fiquei com o grupo dos adolescentes e a Marisa e a Irmã Alcina com os miúdos dos 10 aos 13 divididos em dois grupos e o Abel, um voluntário que também está aqui no CRPS ficou com as crianças mais novas.
Os miúdos são incríveis, com um sentido de humor fantástico e muita personalidade. Irreverentes, é certo, mas também isso lhes dá uma certa piada.
Na segunda feira fizemos dois jogos de confiança e falámos um pouco sobre Fé e na quarta, foi altura de falar sobre ecologia, mas desconfio que de pouco lhes serviu, pois além de os ter desclassificado a todos no jogo do ambiente que preparei, por estarem constantemente a tentar fazer batota… (mas de uma maneira descontraída, que na realidade até achei graça) e assim que lhes dei uns rebuçados que levava, muitos deles deitaram logo os papeis ao chão…apanhando-os em seguia, naturalmente!

Os orfanatos que perduram por aí…

Na semana passada fomos visitar um orfanato nos arredores de Maputo. Um orfanato com meninos como tantos outros, alguns doentes, outros com deformações físicas causadas, na sua grande maioria pela ausência de uma assistência médica competente ou até mesmo pela ausência de meios e recursos adequados. Uma grande parte das crianças que temos no CRPS também sofreu deste problema. Muitas delas não foram devidamente tratadas e, ou porque o parto foi demasiado prolongado, ou porque tiveram malária ou meningite e não tiveram tratamento imediato, ou até pela conhecida doença “icterícia”, que em Portugal é facilmente diagnosticada e tratada, aqui deixa sequelas indeléveis nas crianças, impedindo-as de prosseguirem com uma vida saudável e independente.
Ao chegarmos ao orfanato, ficámos admiradas com exterior, mas esta impressão depressa se desvaneceu assim que ultrapassámos o portão da frente. Ali mesmo ao lado corriam descalças na terra, algumas crianças com roupas esfarrapadas e imundas de tanto se rolarem no chão de terra negra. Até aqui tudo mais ou menos normal, até porque como diz a tal publicidade… é bom sujar-se!
Ao fundo avistamos um edifício escuro e enquanto nos aproximamos avistamos uma esteira com algumas crianças deitadas à sombra (provavelmente a dormir a cesta, pensámos). Continuamos a caminhar e a cada passo, os pormenores vão-se tornando mais perceptíveis e ganhando cada vez mais peso. À nossa volta correm crianças descalças e de fato roto em gritos estridentes. Nota-se que já estão bem habituadas a este ambiente. Mais à frente, um grupo de adolescentes jogam basebol muito compenetradas, certamente uma herança deixada por algum voluntário americano…
Parámos finalmente junto ao edifício e ao lado vimos o que já muitas vezes havíamos visto na televisão, mas que nunca nos tinha sobressaltado o coração de uma forma tão violenta, de tal forma que quase não conseguíamos respirar! Estavam deitadas na esteira três crianças e uma menina com cerca de 20 anos ou mais, todas elas com deficiências muito profundas. Quase não se conseguiam mexer devido às suas patologias e estavam com uma imensa falta de higiene e por este motivo, dezenas (não seriam centenas???) de moscas rodeavam-lhes os olhos, a boca e as roupas ensopadas em transpiração. Assim que nos aproximámos a senhora que estaria encarregada de cuidar deles enxotou as moscas, o que realçou ainda mais a dureza desta realidade em que vivem as crianças e o tamanho do seu sofrimento incessante e após este movimento misericordioso, permaneceu na sua letargia exasperante.
O responsável pelo orfanato recebeu-nos e foi-nos contando avidamente as histórias de cada criança, cada adolescente e até de cada adulto que passava, e notava-se verdadeiramente que este era o seu carisma e a sua vocação, mas uma formiga, por mais trabalhadora e bem intencionada que seja, não pode mudar o que está instituído há anos e a boa vontade aqui vale muito pouco quando a corrupção é a todos os níveis, e mesmo que se lhe tente fazer frente, é uma tarefa hercúlea com que muitos religiosos se debatem diariamente. Ou porque os funcionários não trabalham, ou porque maltratam as crianças e os negligenciam, ou até mesmo porque os bens que deveriam chegar para todos nunca chegam ao destino final, que são as crianças. Mas como mudar esta situação? Seria preciso estar de vigia junto a cada funcionário para nos certificarmos que as crianças receberiam realmente a alimentação de uma forma digna, com qualidade, ou pelo menos quantidade suficiente, mas muitas vezes só porque uma criança doente não consegue alimentar-se com a rapidez que lhe é exigida, é-lhe retirado o prato com a desculpa de que não quer comer… e este é só um dos exemplos com que nos deparamos nestes locais e que vai contribuindo gradualmente para a má nutrição das crianças, o seu aspecto descuidado, o enfraquecimento do seu sistema imunitário, e a sua morte iminente.
É necessário que se mudem as mentalidades, mas isso demora tanto tempo……. e entretanto estas crianças continuam a sofrer!
Algumas crianças, não do orfanato, mas que encontramos frequentemente por aí.